Deputado que foi o estopim do mensalão saiu da cadeia para ganhar o Ministério do Trabalho no governo Michel Temer;

Presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson demonstra um destemor que impressiona. Foi o estopim do escândalo do mensalão, que lhe rendeu uma temporada na cadeia e selou o destino do ex-ministro José Dirceu e de vários outros cardiais do PT.

Mesmo na condição de presidiário, nunca perdeu o domínio sobre a legenda. Continuou presidente. Há quem diga que os correligionários temem o que possa falar, afinal, o PTB é uma confraria de políticos com “rabo preso” e Jefferson comanda com mão de ferro.

O ex-parlamentar saiu da cadeia e continuou gravitando nas sombras, retomando as articulações ostensivas após a queda da ex-presidente Dilma e a escalada do presidente Michel Temer, com quem chegou a se reunir para ganhar o Ministério do Trabalho de porteira fechada.

Indicou um preposto: Helton Yomura, afastado em julho deste ano por corrupção. Deixou como legado episódios que vão sendo revelados em capítulos. O mais recente é o desvio de R$ 12,9 milhões, alvo das investigações na Operação Registro Espúrio, com uma das etapas deflagradas pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13).

VOCAÇÃO PARA O CRIME

O combate a corrupção exerce efeito pedagógico sobre os vocacionados para o crime, mas, a exemplo de algumas bactérias resistentes aos antibióticos, tem gente que cria imunidade ao remédio aplicado pelo Leviatã. Jefferson parece ter esta resistência. Ele voltou mais forte e se juntou aos seus: gente como o deputado Paulinho da Força e o parceiro Michel Temer, que lhe deu cargos em troca de apoio.

Se o presidente do PTB saiu da cadeia para desfilar pelas Esplanadas dos Ministérios, é possível que Temer faça o caminho inverso ao sair de um governo que está caindo de podre.

 

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