No papel de  otários globalizados, países em desenvolvimento agora caem no conta da “independência” do Banco Central;

Segundo Raimundo Faoro, que nos deixou em 2003, nessa globalização tão festejada os países subdesenvolvidos fazem papel de otários e o Brasil não foge à regra, sendo um boboca de plantão, para ninguém botar defeitos.

A última da malta endinheirada é a tão propalada “independência” do Banco Central. No mundo globalizado, os grandes bancos são cada vez mais poderosos politicamente. Na terra da jabuticaba, não é diferente, com um senão, qual seja a inteligente captura da agência reguladora do setor que deveria ser o Banco Central.

Um banco – instituição crucial para prover crédito para o setor produtivo nacional – obtém lucro mediante cobrança de caríssimas tarifas, ou através da flexibilização das regras do compulsório bancário, ou simplesmente emprestando para empresas (capital de giro), famílias (crédito ao consumo) e para o próprio governo “perdulário”, no giro da dívida pública, o que, aliás, custa cerca de 5% do PIB nacional nos dias atuais.

A pesquisa Focus, que congrega as projeções dos agentes econômicos mais representativos do setor financeiro opera como verdadeiro misto de bússola e bíblia para os profissionais do mundo produtivo tupiniquim. Também para a tecnocracia, responsável pela implementação da política econômica, em especial a política monetária.

A pesquisa tem frequência semanal e sua divulgação, a cada início de período, é recebida com a aura da verdade suprema e segura, a respeito do desempenho futuro da economia brasileira. No entanto, caracteriza-se apenas como o interesse concreto do time que vive do “sequestro”, de parte do fundo público pago pelo cidadão comum.

Os jornalões são mestres em se saírem com as conhecidas frases do tipo “o mercado pensa”, “o mercado considera”, “o mercado espera”, “o mercado reage”, entre tantas outras tentativas de humanizar algo que nada mais é senão, o mero interesse do financismo, por sinal muito ativo na terra da jabuticaba.

Em 2018, o nervosismo destes senhores engravatados é alto. O problema é que os candidatos dos banqueiros não possuem votos, daí a busca de um “messias” para salvar o discurso antipopular do setor, que congrega seguradoras, fundos de pensão, bancos, corretoras e seus oráculos, que não por acaso inundam de “opiniões” e muito dinheiro a mídia nativa e as redes sociais.

Num país após outro, as tentativas dos governos para impor austeridade prepararam explosões sociais de um carácter absolutamente sem precedentes. Resumo da ópera: a política é economia concentrada e seus efeitos concretos sobre a vida das famílias e seu padrão de vida. Nesse contexto, a luta dos dias atuais se limita a obter paz, pão e terra, contra a corrente que advoga sangue, predação da natureza, suor do trabalho, não adequadamente remunerado e lágrimas pelo desemprego elevado. Simples assim.

 

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