Um ano eleitoral cercado de incertezas, com corrupção em alta, desemprego, violência e economia em frangalhos;

Foto: The Intercept

O que afinal orientará o voto do brasileiro comum nesse ano eleitoral de 2018, cercado de incertezas e crise política intensa (com uma Copa do Mundo no meio) parece a indagação corrente. Corrupção, desemprego, violência nos grandes centros urbanos e saúde pública aos frangalhos, com o congelamento do orçamento federal, estão na ordem do dia.

A crise de 2008 promoveu uma profunda alteração no quadro internacional e, portanto, nas condições da reprodução do capital em nosso país. Historicamente somos uma nação com oferta excedente de mão de obra, em grandes proporções. Isso se agravou.

Nesse contexto, a pobreza extrema sobe 11% no Brasil e atinge 7% da população. É considerado em extrema pobreza aquele que ganha menos de US$ 1,90 de renda domiciliar per capita por dia ou 136 reais por mês. Um traço peculiar de nossa sociedade é o limbo do qual os pobres podem sair e também cair de volta. Alguns pobres podem deixar de ser pobres, mas a pobreza não deixa de existir.

No final do ano passado, o Banco Mundial afirmava na mídia nativa da terra da jabuticaba que a Argentina e o Brasil iam “bombar” e puxar as economias ao sul do equador revigorando lucros e empregos formais. Quanta ingenuidade.

Mais incrível ainda é lembrar que “comentaristas” do noticiário da TV e “analistas de mercado” confirmavam essa leviandade, sem pestanejar. Hoje, o laureado governo do senhor Maurício Macri (Argentina) bate às portas do FMI, de pires na mão, e a economia tupiniquim – gerenciada pelo time do senhor Meireles – mantém-se empacada e com alto desemprego. Enquanto isso, os analistas de plantão fazem cara de paisagem, posto que são incapazes de vender mais ilusões na terra da jabuticaba.

As promessas em vigor no discurso de alguns candidatos valem o mesmo que qualquer discurso político: justificar a luta pelo poder. A política de estilo pequeno burguesa precisa velar a essência do mundo para justificar a manutenção do poder do capital. O discurso de defesa do pobre não passa de areia nos olhos dos trabalhadores para levar a cabo uma política rigorosamente pró-capital de redução do peso dos salários na renda e recuperação da lucratividade perdida na crise cíclica.

No nosso país, com sua formação histórica particular e nesse momento histórico de crise, algumas “saídas” significam apenas enganar os trabalhadores para fazer o trabalho sujo de impor mais reformas e favorecer uma nova rodada de renovação tecnológica. Isso aumentará o desemprego e intensificará a marca da exclusão e da desigualdade histórica na oitava economia do planeta.

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