O invisível visível no teatro da vida – mostrar a cara, vestir a persona (anti)capital;

É de Oppiano Licario, codinome do Prof. Dr. Luís Eustáquio Soares, professor do CCHN, DLL, PPGL, Ufes (ES), o seguinte fantástico relato ao rés-do-chão (em 05/08): “teatro invisível. Estava em um ônibus ontem à noite, vindo para casa; do terminal Laranjeiras para Porto Canoa. Levava comigo o Livro I, de O capital, edição da Boitempo. Ônibus cheio. Um senhor, com a Bíblia no colo, assim como sua mulher, que se sentava de seu lado, gentilmente pede para carregar meus pertences: uma mala e o livro de Marx. Começo a conversar com ele, relacionando as duas “bíblias”, a de O capital e a Bíblia enquanto tal, aproveitando para puxar os fios da relação entre Império romano Cristo e o imperialismo americano/Lula.

O Capital | Foto: Ilustração

Um rapaz em pé, do meu lado; me questionou dizendo que era absurda a comparação porque Lula seria ladrão e Cristo era Deus. Detalhe, o senhor com quem conversava, assim como sua mulher, concordavam comigo. Comecei então a discutir com o rapaz. Disse a ele: “Ora, se você, que suponho ser honesto e sério, diz que o Lula é ladrão, então você sabe certamente o que ele roubou”. Ele me respondeu que sim, que que Lula era ladrão porque teria ganhado um Triplex. Disse a ele então: “O tal triplex nunca foi do Lula, até porque acaba de ser leiloado em nome da OAS. Ora, se estava e sempre esteve no nome da OAS nunca poderia ter sido do Lula e, ainda que fosse, não seria crime porque Lula não ocupava cargo público e desde que o mundo é mundo ganhar não é roubar… “Enfim, a conversa começou a se intensificar. Comecei a envolver todas as pessoas do ônibus na discussão, dizendo que a Globo quer que sejamos como o povo que gritou “crucifique-o, crucifique-o!, com Cristo na cruz. Quando disse isso…ou melhor quando gritei isso, o senhor com quem eu conversava levantou a Bíblia e O capital (O capital com a mão esquerda) e começou a gritar que “só Deus salva! mas que também pune e que irá punir Moro como puniu o mau ladrão”.

Eu, assistindo aquela cena, comecei a dizer que sim, que Moro é o ladrão e Lula não é o outro ladrão da cruz, o ladrão bom, que Lula é o Cristo. O ônibus se agitou. O rapaz desceu e eu desci logo após gritando Lula-livre, acompanhado de outras pessoas, sobretudo as mais velhas, que estavam no ônibus. Moral da história: aonde for, milite contra os Pilatos que lavam as mãos à sentença de Roma.”

Esse texto brilhante relato foi postado em sua timeline no facebook e teve inúmeros likes e comentários, entre eles um poema do ilustre capixaba Waldo Motta, que assim se colocou diante da crônica interior/exterior, chamado de Movimento do Teatro Invisível, com muitos seguidores no Espírito Santo: “querida rosa-linda, temos um grupo de teatro aqui, intitulado teatro dos desoprimidos: já atuamos há 5 anos, inclusive com intervenções em ônibus.”, nos afirma Oppiano. Waldo: Maravilha! Waldo Motta: Emocionante! Que texto! Deveria ser impresso e distribuído por aí, pelo Brasil, para abrasar o país.

Esse tipo de intervenção é a luta de que tanto precisa nosso país e que somente esse teatro ilustrado de Oppiano faz eclodirem as massas. Estas, sim, oprimidas e caladas precisam ser instigadas pela Boca da coragem, pelo teatro invisível, pelo show do intelectual consciente de sua persona política. Um show! Um desbunde capital!!! E O GRANDE POETA CAPIXABA Waldo Motta escreve da honra de participar do livro em favor da libertação de Lula, com o poema “Loa à luz inácia”.

Lula é luz

Lula reluz

Lula seduz

Lula conduz

Lula alucina

laias malinas

açula matulas

cala lacaios

da elite chula

Estrela guia

que alumia

aquece

anima
firme lume

nume vivo

ofusca néscios

sonsos

torna a massa

cônscia

remoça esperanças

a nação renasce

Viva a luz inácia!


 

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