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Revista Nature publica artigo mostrando que circulação oceânica está mais lenta no Atlântico Norte;

Venho há anos utilizando um artigo assinado pelos pesquisadores Maria Lúci A.M. Campos e Wilson Jardim, onde é feita uma previsão teórica sobre possibilidades de colapso da circulação oceânica por causa das mudanças climáticas, levantando ainda a hipótese de que isso poderia ocorrer por volta de 2030. CLIQUE AQUI E LEIA

Pois bem, o que era uma mera hipótese teórica pode estar se confirmando e mais rápido do que o estimado no artigo de Campos e Jardim. É que na quarta-feira (11), a respeitada revista Nature publicou um artigo assinado pela Dra. Summer K. Praetorius, do United States Geologic Service (USGS), que aponta, a partir de dois estudos diferentes, para o fato que está ocorrendo uma diminuição no chamado sistema de “Circulação oceânica do Atlântico Sul”, algo que não teria precedentes pelo menos nos últimos 1.600 anos.

Ilustração: Nature

Figura mostra a  Circulação do Atlântico Sul (AMOC) e o giro subpolar. O AMOC é um sistema de circulação oceânica que consiste de correntes superficiais quentes (laranja) e fluxos frios de retorno a águas profundas (azul), como mostrado nesta representação simplificada. As correntes superficiais incluem a Corrente do Golfo, que alimenta uma ramificação do AMOC conhecida como Corrente do Atlântico Norte. Os fluxos de retorno em águas profundas partem de três ramos que se fundem na Águas Profundas do Atlântico Norte.

O problema é que o chamado “Sistema de Circulação Oceânica do Atlântico Sul” joga um papel fundamental na passagem de calor das águas oceânicas para a atmosfera, e uma eventual diminuição de sua velocidade trará impactos significativos no comportamento climático da Terra, especialmente sobre a Corrente do Golfo que ocupa um papel importante na chegada de calor nas latitudes mais altas ao norte,

Um efeito esperado dessa perda de velocidade seria a ocorrência de invernos mais frios no norte da Europa, o que poderia ser traduzido em um decréscimo de 3 a 5 C° na temperatura, o que seria equivalente a 30 ou até 50% da queda de temperatura que ocorreu nas maiores glaciações que já ocorreram na Terra. Em seu artigo, a Dra. Praetoreus alerta ainda que poderá haver uma modificação importante nos padrões de precipitação.

Uma lacuna que ainda precisará ser respondida por novos estudos tem a ver com a determinação de quando esse enfraquecimento da circulação oceânica teria começado e, evidentemente, quais seriam as causas deste processo. De toda forma, o que parece ter sido resolvido é sobre a ocorrência desse enfraquecimento.


 

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