Líderes da oposição britânica insistem que o parlamento deveria ter sido consultado pela primeira-ministra que seguiu os passos de Trump;

O jornal britânico The Guardian informa que a primeira-ministra Theresa May está enfrentando uma reação furiosa dos deputados depois que ela ordenou que as forças do país se juntassem aos EUA e à França em ataques aéreos direcionados a instalações de supostas armas químicas sírias entre o final da noite de sexta-feira (13) e madrugada de sábado (14), sem ter obtido o consentimento do parlamento.

Horas depois de quatro caças RAF Tornado GR4 lançarem mísseis Storm Shadow em uma instalação militar a 24 quilômetros da cidade Homs, onde o regime de Assad supostamente estocaria as armas letais (segundo relatos de ativistas da oposição Síria em redes sociais), a primeira-ministra emitiu uma defesa apaixonada da ação, que ela disse ter adotado por razões humanitárias.

CUMPLICIDADE DIPLOMÁTICA

Depois de ser informada por conselheiros militares em Downing Street (residência oficial), May disse estar “confiante” de que foram bem sucedidas. Um porta-voz da Downing Street disse que May conversou com o presidente da França Emmanuel Macron e o presidente  norte-americano Donald Trump e que eles concordaram que os ataques militares foram um sucesso.

“O primeiro-ministro saudou o apoio público dado pelos colegas líderes mundiais pela forte posição do Reino Unido, França e Estados Unidos em degradar a capacidade de armas químicas da Síria e dissuadir seu uso, defender as regras globais e enviar uma mensagem clara. que o uso de armas químicas nunca pode se normalizar. ”

TRUMP, O UFANISTA

Donald Trump divulgou uma nota mais triunfalista. Em sua conta no tweet, ele disse: “Um ataque perfeitamente executado na noite passada. Obrigado à França e ao Reino Unido por sua sabedoria e pelo poder de suas excelentes forças militares. Não poderia ter tido um resultado melhor. Missão cumprida!”

Mas, enquanto outros líderes europeus e de grande parte da comunidade internacional alinhados ao governo norte-americano apoiaram o ataque, o presidente russo Vladimir Putin condenou a ação “da maneira mais séria”. Putin convocou uma reunião de emergência do conselho de segurança da ONU para tratar da crise.

Quando a reunião foi aberta neste sábado (14), em meio a uma conversa nos círculos da ONU sobre uma nova guerra fria (o secretário-geral da organização, António Guterres, instou todos os membros do conselho de segurança a mostrar moderação e evitar mais escalação), Nikki Haley, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, disse na reunião: “Se o regime sírio usar novamente esse gás venenoso, os Estados Unidos estarão trancados e carregados”.

Uma resolução russa no Conselho de Segurança da ONU condenando os ataques aéreos enfrentou uma dolorosa derrota diplomática. Moscou ganhou apoio de apenas dois outros países, China e Bolívia. Quatro membros do conselho – Etiópia, Cazaquistão, Peru e Guiné Equatorial – se abstiveram, enquanto os membros restantes votaram contra. Após a votação, o enviado russo, Vassily Nebenzia, disse: “Hoje é um dia muito triste para o mundo, a ONU, sua carta, que foi flagrantemente violada”.

*Agência VIU!

 

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