EUA se recusam a reconhecer eleição de Nicolás Maduro, líder da oposição se autoproclama presidente interino, mas chavismo ainda segue no comando;  

Foto: © AP Photo / Fernando Llano – Via Sputnik

O governo dos EUA reconheceu o líder da oposição e membro do partido Vontade Popular, Juan Guaidó, como presidente da Venezuela. Com isso, conseguiu aumentar a pressão externa contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

O líder bolivariano, por sua vez, rompeu as relações diplomáticas com os EUA.  Guaidó, cujo nome há algumas semanas era pouco conhecido para a maioria dos venezuelanos, é a pessoa que o governo de Washington, bem como vários países do Grupo de Lima, apoia como presidente da Venezuela, desconsiderando assim as eleições de maio de 2018.

Para o analista Pedro Brieger, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Guaidó “é mais um passo da oposição para conseguir alcançar a legalidade internacional”, mas pode gerar consequências.

OITO PONTOS DESTACADOS POR PEDRO BRIEGER

1 – Embora a oposição a Maduro tenha capacidade de mobilizar muita gente, pensava que através das mobilizações poderia derrubar o governo de Nicolás Maduro e fracassou”.

2 – O contexto internacional é mais favorável à oposição. Vários países formaram o Grupo de Lima para ajudar à queda de Nicolás Maduro e conseguir um governo favorável aos setores da direita venezuelana.

3 – O Grupo de Lima e a ajuda dos EUA deu à oposição um impulso para declarar que agora há um presidente interino com o objetivo de criar um governo paralelo, obter o reconhecimento internacional e afirmar que o único representante legítimo da Venezuela é Juan Guaidó.

4 – A pressão externa é acompanhada por medidas tomadas por vários países latino-americanos, como a decisão do Chile de não convidar o embaixador da Venezuela a uma recepção no Ministério da Relações Exteriores do Chile, porque o país não reconhece o governo bolivariano.

5 – Por enquanto, a situação é incerta: Maduro não tomou nenhuma medida contra Guaidó. É muito pouco comum que alguém se declare presidente interino de um país, desafiando todas as leis.

“Até agora, o governo também não dissolveu a Assembleia Nacional, há experiências históricas de governos paralelos, algumas tiveram êxito, outras fracassaram”, explicou o analista.

6 – Outro fato incomum é que a oposição se apressou em declarar Guaidó como presidente interino. É uma medida muito arriscada, o tudo ou nada, e parece que os setores [de oposição] mais radicais estão arrastando os mais moderados que estavam dispostos a dialogar.

“Voltamos à velha Doutrina Monroe do quintal e os EUA se comportando como o dono da região, ditando quem é legítimo e quem não é, e o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, reconhecendo Guaidó como presidente interino”, disse Brieger.

7 – O analista diz que “há uma armadilha no que pretende a oposição, porque propõem eleições, mas ninguém garante que venceriam essas eleições.

“Se eles perderem, reconhecerão o presidente chavista? Algo que nunca reconheceram quando perderam”, opinou.

8 – Quanto à situação nas Forças Armadas do país, Brieger acredita que deve haver descontentamento, mas já um golpe militar é outra coisa. Já houve um precedente em 2002, quando um golpe de Estado destituiu o presidente Hugo Chávez por 48 horas, e as massas populares saíram às ruas para restituí-lo.

“O chavismo tem uma capacidade de mobilização muito forte, o panorama não é simples, se está brincando com o fogo, e o que os EUA fazem é colocar mais lenha na fogueira”, explica o analista.

PAÍSES QUE RECONHECEM O GOVERNO MADURO

Na quarta-feira (23), Guaidó se declarou “presidente encarregado” da Venezuela. Os EUA, União Europeia e uma série de países da América Latina, inclusive o Brasil, manifestaram apoio a Guaidó e à oposição venezuelana. Rússia, Cuba, México, Bolívia, Nicarágua, Turquia e Irã apoiam a permanência de Maduro.

Moscou declarou que seu posicionamento sobre o reconhecimento de Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela não mudaria, assinalando que a postura dos países ocidentais mostra a forma como eles encaram o direito internacional, a soberania e a não interferência nos assuntos internos de outros países.

*Sputnik

 

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