O dinheiro farto do petróleo em Campos dos Goytacazes-RJ foi drenado para grupos alinhados ao poder; cidade paga os piores salários do Norte Fluminense;

Da redação

A cidade de Campos dos Goytacazes está sem rumo. O município está atrelado ao petrorrentismo. Com a maior parte de arrecadação oriunda dos royalties do petróleo, fonte que durante duas décadas jorrou dinheiro, o poder público tornou-se relapso com a arrecadação de receitas próprias.

A iniciativa privada, que deveria participar de um círculo virtuoso, ficou viciada no orçamento público.

A sociedade local foi contaminada pelo petrorrentismo. O resultado é a estagnação econômica e salarial.

Os salários praticados pela iniciativa privada do município, em diferentes setores, são os menores da Região.

Chega a ser menor do que a massa salarial de São João da Barra, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes. É o que revelam os dados do Cadastro Geral de Empegados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

Confira tabela:

Tabela
Fonte: Caged

O dinheiro farto que jorrou em duas décadas foram drenados para obras de infraestrurura – setor que historicamente financia campanhas eleitorais – a mídia local e, em menor escala, os programas sociais.

O capital que turbinou alguns segmentos locais foi invertido na compra de imóveis, modalidade de investimento que perdeu rentabilidade de até 30% neste período de crise econômica. É uma prova de que a elite provinciana maltratou o dinheiro ou não aprendeu a optar por aplicações mais sofisticadas.

É um segmento que deverá enfrentar encarecimento de custos com o inevitável reajuste do Imposto Territorial Urbano (IPTU) e a campanha que será travada pela adoção do imposto progressivo.

A deformação econômica também explica a razão que leva alguns prefeitos da Região a brigar desesperadamente contra a redução nos repasses de royalties sobre a produção incremental dos campos maduros.

A proposta de desoneração foi empreendida pelo prefeito de Macaé, Dr. Aluízio Júnior (PMDB), com apoio do prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar (PMDB), e tem por objetivo fomentar a geração de empregos. A proposta é rechaçada pelos prefeitos de Campos, São João da Barra e Quissamã, no caso, Carla Machado (PP), Rafael Diniz (PPS) e Fátima Pacheco (PPS).

Essas cidades não conseguiram se libertar do ouro negro.

Quando o prefeito de Macaé luta por mais investimentos e admite abrir mão de parte dos royalties, ele na verdade busca garantir a manutenção da prática de bons salários no setor privado de sua cidade.

Através deste fluxo de renda é que ele arrecada seus impostos municipais e financia sua máquina pública.

A tabela acima registra o salário médio de admissão de janeiro a junho de 2017, pago ao mercado de trabalho regional, por setor de atividade econômica aos trabalhadores, contratados através do regime da CLT.

As melhores remunerações estão ligadas ao setor de extrativismo mineral. Neste segmento se destacam Macaé, Rio das Ostras e São João da Barra.

ENTENDA

Macaé e o de Rio das Ostras

Os salários médios superiores a R$ 3 mil decorrem do alto nível de renda em razão do setor petrolífero, responsável pelo pagamento de salários de alto poder aquisitivo.

São João da Barra

Os altos salários se assemelham aos das economias de Macaé e a de Rio das Ostras. Pode-se afirmar que já são reflexos das contratações do Porto do Açu – embora parte desses salários não circule, de fato, na cidade, pois 60% desse contingente é de Campos.

Campos dos Goytacazes

No que tange, especificamente, ao município de Campos, o salário médio do  setor de extração mineral ficou em apenas R$ 1.267,64. Demonstração clara de que a extração mineral local tem pouca influência na economia. Em uma economia sem dinamismo, que vive do salário médio pago pela prefeitura, muito acima da média municipal, que agora com a queda dos royalties, não pode ser mantida. Preso na narrativa do rombo, o atual governo insiste no discurso de herança maldita, a cidade não sai do lugar e a estagnação ganha contornos dramáticos.

MÉDIA SALARIAL

Nos setores de atividade econômica constata-se no município de Campos que o salário médio gira em torno de aproximadamente, R$ 1.500. O destaque no período analisado está na construção civil.

Em Macaé, os setores da indústria de transformação, de comércio e de serviços, ostentam salários médios acima de R$ 2 mil.

Em Rio das Ostras, os salários também são poucos expressivos, ficam entre R$ 1.000 e R$ 1. 800. Os destaques residem na indústria de transformação, na construção civil e nos serviços.

No município de São João da Barra, os salários médios gravitam entre R$ 1.500.e R$ 2.515. Destacam-se, os setores da indústria de transformação, da construção civil e o setor de serviços.

Os dados foram extraídos do CAGED e são referentes aos primeiro semestre de 2017. O declínio da indústria petrolífera na Bacia de Campos demonstra um dado que não chega a surpreender. Parte dos dirigentes regionais não tem a mínima noção do que fazer com a era pós extração de petróleo.

*Agência VIU!

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