Com desemprego em alta, endividamento dos consumidores chega a R$ 96,6 bilhões; Conheça a radiografia deste débito que terá reflexos em 2019:

Pelo menos 52% do brasileiros adultos estão com o “nome sujo” no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), por conta de dívidas com o mercado financeiro. O endividamento inclui pessoas físicas e jurídicas, e se referem a débitos com bancos, operadoras de cartão de crédito, financeiras e leasing.

Esses dados preliminares do Banco Central (BC) são referentes ao mês de setembro, contabilizando apenas débitos em que as pessoas estão inadimplentes por um prazo superior a 90 dias.

De acordo com o BC, a taxa de inadimplência ao crédito do sistema financeiro chegou a 3,04%, ou em termos absolutos, R$ 96,6 bilhões de um saldo total de R$ 3,168 trilhões.

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QUANTIDADE DE BRASILEIROS ENDIVIDADOS EQUIVALE A POPULAÇÃO DA ITÁLIA

Em setembro, 62,6 milhões de pessoas estavam com os nomes “negativados” no SPC. É um número expressivo, que equivale a população da Itália ou pouco menos de um terço da população brasileira adulta, com 20 anos ou mais, – conforme cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inadimplência junto as instituições financeiras equivalem a 2,7% dos saldos. No caso das instituições financeiras privadas nacionais, a proporção é de 3,8%. Para as instituições financeiras estrangeiras, o percentual é de 2,6%.

BANCOS PÚBLICOS TÊM A MAIOR QUANTIDADE DE CLIENTES INADIMPLENTES

Os bancos públicos são os maiores credores desta dívida. Essas instituições detém 46,27% do pepino. Em segundo lugar vem às instituições privadas de capital nacional, com 41,28%. Em terceiro lugar, às instituições de capital estrangeiro, com 12,45%. Desemprego é um dos grandes vilões.

“A inadimplência sempre cresce com o desemprego. Quando o país entrou em crise, a partir de 2014, nós tínhamos 51,8 milhões de CPF negativados. A crise, de 2014 pra cá, colocou mais 10 milhões na inadimplência”, explica Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

Foto: Reprodução

RETOMADA NO MERCADO DE TRABALHO SERIA O MAIOR ALIADO NA REDUÇÃO DO ENDIVIDAMENTO

Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, confirma que a recuperação do trabalho, e portanto da renda, é o que faz com que quem esteja inadimplente possa colocar em dia as contas em atraso, especialmente os mais pobres.

“Quando o consumidor que tem a renda menor voltar para o mercado de trabalho, ele vai pagar a dívida, resolver esse problema”, diz a economista.

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CUIDADO COM O CARTÃO DE CRÉDITO, CHEQUE E EMPRÉSTIMO

De acordo com o Banco Central, R$ 2 de cada R$ 5 do saldo inadimplente são de cartão de crédito rotativo, que junto com o cheque especial tem o maior custo de financiamento.

O peso da dívida no cartão é desproporcional ao volume de operações realizadas.

MAIS DETALHAMENTO DAS DÍVIDAS QUE TIRAM O SONO DO BRASILEIRO

Além da dívida do cartão, 13,5% são de crédito pessoal; 12,9% de crédito consignado; 11% de financiamento habitacional e 9,8% de aquisição de carros – um terço do restante inadimplente é formado por diferentes tipos de créditos e financiamentos.

SERASA APONTA CRESCIMENTO DO ENDIVIDAMENTO FAMILIAR

Junho foi o mês campeão de inadimplência. Naquele período, a faixa etária com a proporção de mais inadimplentes era a de 36 a 40 anos (47,3%).

Mas, preocupava especialmente o Serasa o crescimento do percentual de pessoas inadimplentes com mais de 61 anos (35%), 2,6 pontos percentuais a mais do que o verificado em 2016.

*Agência VIU!

 

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