Acordo com a Boeing divulgado como fusão, segundo Associação de Investidores, é uma venda para a concorrente norte-americana;

A Associação Brasileira de Investidores (Abradin) protocolou na 19ª Vara Cível Federal de São Paulo um pedido de interpelação judicial cível aos diretores e conselheiros da Embraer. A entidade quer explicações detalhadas sobre o processo de fusão com a Boeing.

A interpelação também pede informações a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBOVESPA), União e Embraer (pessoa jurídica).

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Há indícios relevantes de que a proposta de formação de uma joint venture é uma fachada. Estaria encobrindo uma venda escancarada no setor de aviação comercial, colocando em jogo a parte mais rentável da empresa brasileira. Nos EUA, a venda mascarada de joint venture seria considerada uma fraude.

EMPRESA BRASILEIRA SOBREVIVERÁ DE DIVIDENDOS

De acordo com o memorando divulgado pela fabricante de aviões brasileira, a Boeing seria detentora de 80% de uma nova empresa que surgiria a partir de uma cisão entre as divisões da indústria comercial, executiva e militar da Embraer. A fabricante brasileira ficaria com apenas 20% desta nova empresa. Ou seja, passaria a sobreviver basicamente de dividendos.

Continuaria com a divisão de jatos executivos e militares,  setores que na avaliação do mercado não sobreviveriam diante da falta de economia de escala proporcionada pela divisão comercial.

O ARTIGO 54 DO ESTATUTO DA EMBRAER PREVÊ OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO DE AÇÕES PARA ACIONISTAS MINORITÁRIOS, EM CASO DE NEGOCIAÇÃO DE 35% DO CAPITAL DA EMPRESA PARA UM COMPRADOR

De acordo com reportagem publicada pelo Wall Street Journal em outubro deste ano, a empresa norte-americana enfrenta um gargalo na produção de jatos para aviação civil. Isso explicaria a busca de soluções e logística para atender a demanda global neste segmento, que até agosto deste ano, teve um aumento de 6,8%.

Portanto, a Embraer nesta caso, uma empresa sadia, com boa carteira de clientes no mercado e tecnologia padrão internacional, é um grande negócio.

“Trata-se de uma indústria de elevada intensidade de desenvolvimento tecnológico, com a competência de gerar tecnologia para diversos setores da economia”, diz a petição da Abradin.

ACORDO SEM TRANSPARÊNCIA E LONGE DOS ACIONISTAS

As negociações entre as duas empresas de aviação acontecem longe dos acionistas, quando, segundo a Abradin, deveria ter mais transparência para os investidores, que poderão ser os maiores lesados.

“A dinâmica comercial proposta, contida no Memorando de Entendimento assinado pelas partes e descrita no fato relevante publicado em 17/12/18 propõe a criação de uma nova empresa e a constituição de uma segunda joint venture, entre outras deliberações, nos seguintes termos:

a) Uma empresa para a área de aviação comercial (filão do mercado), da qual a Boeing estadunidense terá uma participação de 80% (controle operacional e gestão da nova empresa) do capital e a Embraer 20%;

b) Uma Joint Venture para promoção comercial, para promoção e desenvolvimento de produtos e serviços na área de defesa.

A Embraer, na proposta de aliança com a Boeing, disponibilizaria negócios e serviços de aviação comercial, que são ativos já consolidados no mercado e que representam maior volume da receita da companhia, enquanto a Boeing oferece “as operações de desenvolvimento comercial, produção, marketing e serviços de suporte”, ou seja, ativos sem expressão neste mercado.

“A Embraer é uma empresa de excelência tecnológica ímpar no hemisfério sul”, explica o presidente da Abradin, o economista Aurélio Valporto, em entrevista ao Canal desta página página no Youtube.

Na quinta-feira (20), o juiz da 24ª Vara Cível de São Paulo, Victorio Giuzio Neto, concedeu uma liminar – decisão provisória – que suspende o acordo entre a Boeing e Embraer.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos é um dos autores do pedido, junto a outros sindicatos de trabalhadores da região onde a Embraer mantém fábricas. A Abradin aguardará o resultado da interpelação para definir a estratégia para questionar o acordo no âmbito judicial.

 

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