Guardar dinheiro da aposentadoria ou para situações de emergência, o hábito do brasileiro ainda é o improviso “debaixo do colchão”;

Criado no Congresso Internacional de Economia, o Dia Mundial da Poupança foi comemorado no último dia 31 de outubro em clima de conscientização e, também, expectativa acerca dos rumos do sistema previdenciário brasileiro, com a posse, em 1º. de janeiro, do presidente Jair Bolsonaro.

Apesar dos alertas dos especialistas sobre a importância de poupar dinheiro para os momentos de emergência, estudos comprovam que o trabalhador no país não tem o hábito de poupar.

Um estudo divulgado em julho deste ano, pelo Indicador de Reserva Financeira do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revela que o consumidor no Brasil não economiza. Os dados apontam que 1/4 dos poupadores, ou seja, 25% desta categoria, guarda dinheiro em casa, representando uma alternativa arriscada por questões de segurança e negativa rentabilidade.

REFORMA PREVIDENCIÁRIA

O tema poupança teve destaque esta semana nos noticiários, após o futuro ministro da Fazenda do governo de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, manifestar-se a favor da adoção do sistema de capitalização, no qual a aposentadoria do trabalhador resulta do que ele conseguiu poupar ao longo da vida. O sistema de capitalização citado por Guedes nada mais é que do que um espelho dos programas de capitalização privada, oferecido, principalmente, pelas instituições bancárias.

“O regime de capitalização prevê que os novos entrantes no sistema previdenciário, ao invés de sustentarem os mais velhos, como acontece atualmente, irão guardar dinheiro para si mesmos. Assim, quem contribuir mais, vai ter mais no futuro. O problema deste novo modelo, no seu momento de transição, é que quando os novos contribuintes param de contribuir, este fato deve agravar o déficit no sistema previdenciário”, esclarece o economista em finanças pessoais da Blueway Consultoria, Humberto Carneiro.

“Em contrapartida, com o recurso de quem faz o sistema de capitalização, estando na mão do governo, este [o governo] poderá fazer investimentos e isso gerar rentabilidade, como elemento para se criar um caixa para fazer frente a aposentadoria dos mais idosos. Mas é um equilíbrio muito delicado, deve ser feito com extremo cuidado”, alerta o economista.

O executivo de organizações nacionais e multinacionais, Ph.D. em Business Administration pela Universidade da Flórida (EUA), Newton Rodrigues-Lima, faz uma analogia do funcionamento da máquina governamental com a prática econômica das famílias. Os investimentos, segundo o especialista, são feitos por meio da poupança ou por endividamento. Rodrigues-Lima lembra que o Brasil tem um histórico de poupança muito baixo.

“O país, assim como qualquer brasileiro, conseguiria avançar financeiramente se tivesse alta taxas de poupança. Mas, o Brasil não alcançou ainda estes índices de poupança, por vários motivos: por conta de renda baixa, envio de dinheiro para o exterior, um consumo muito elevado… Há diversos fatores que explicam as nossas taxas baixas [de poupança]”, destaca o especialista.

DEBAIXO DO COLCHÃO

Em termos comparativos, Rodrigues-Lima frisa que, enquanto o Brasil registrou uma taxa de poupança em torno 15%, em 2017, a China atingiu a 50% neste mesmo setor. Um dos fortes motivos para o resultado pífio pode estar na cultura de “guardar dinheiro debaixo do colchão”.

O executivo acredita que a falta de informação do mercado financeiro pode levar o trabalhador à baixa rentabilidade do seu próprio salário, representando um ‘atraso de vida’. Para ele, do ponto de vista de poupar, “guardar dinheiro em casa é a pior opção. O sistema financeiro funciona transferindo dinheiro de quem tem menos apetite para riscos para aqueles investidores que gostam de arriscar”, explica.

Para quem pretende garantir de imediato o seu ‘pé de meia’, Rodrigues-Lima dá uma dica segura. “A alternativa que oferece hoje menos risco no mercado brasileiro é emprestar [dinheiro] para o governo. São as chamadas Títulos do Tesouro Nacional, que somente não retorna o dinheiro do investidor com as taxas prometidas se o país quebrar”, afirma.

 

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