Pesquisa do Ipea mostra que 23% dos jovens brasileiros estão completamente alijados da 4ª revolução industrial; Leia mais:

Foto: Camila Domingues/ Palácio Piratini

Em plena 4ª revolução industrial, com o mercado exigindo mão de obra qualificada e atingindo níveis recordes de automação, 23% dos jovens brasileiros não estudam e nem trabalham. É a geração “nem-nem”.

Os dados constam no resultado de um levamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com apoio do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo. O público alvo foi a população situada na faixa etária entre 15 e 24 anos, também conhecida como geração dos Millennials.

A pesquisa, além do Brasil, foi realizada em outros países da América Latina e do Caribe.

A pobreza e o pouco tempo de escolarização são características marcantes nos jovens nem-nem, que estão numa faixa etária também conhecida como

“São jovens em domicílios com a renda mais baixa, com nível de escolaridade menor e que encontram barreiras tanto no acesso à escola de qualidade quanto no mercado de trabalho. Eles apontam como fatores [para não estudar nem trabalhar] a falta de qualificação, experiência, dificuldades financeiras de se manter em curso [de capacitação] como os custos de transporte, material, etc”, destaca a economista Joana Costa, uma das responsáveis pelo estudo, em entrevista à agência Sputnik News.

ENTENDA A PESQUISA DO IPEA

O objetivo do levantamento compreender o modelo de vida dos millenials em países com indicadores socioeconômicos semelhantes.

Técnica de Planejamento e Pesquisa do  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a economista Joana Costa avalia que os indicadores “precisam ser analisados em um contexto de vulnerabilidade social a que estão submetidos estes 23% captados pelo estudo no Brasil”.

“No caso das mulheres que estão nessa situação, a maioria já têm filhos, têm afazeres domésticos e meciona isso como uma grande barreira para conquistar oportunidades de estudo e trabalho”, disse.

JOVENS COM DIFICULDADES EM MATEMÁTICA

A pesquisa formulou perguntas para verificar habilidades cognitivas e emocionais. Diante do desafio de fazer contas de matemática simples, como adição e divisão, os jovens brasileiros se saíram aquém dos países vizinhos, o que demonstra o fator educacional fator preponderante na desocupação do jovem.

“É preciso incentivar políticas de valorização da criança na escola, promover também a qualificação do jovem para o mercado de trabalho de acordo com a demanda”, sugere Joana.

Para as mulheres, ela destaca a importância da oferta de creches públicas ou de um sistema de transporte que possibilite um deslocamento mais eficiente de mobilidade urbana nas cidades.

SEM TRABALHO, SEM ESTUDOS, MAS CHEIOS DE SONHOS

O fator positivo na pesquisa, é que a maioria dessas jovens  esperam se livrar desta condição de nem-nem em até um ano. “No horizonte de um ano, perguntamos a eles o que se viam fazendo e menos de 4% disseram estar de acordo em viver sem emprego ou estudo”, disse a economista.

A grande maioria também demonstra vontade fazer um curso de nível superior para disputar o mercado de trabalho. “É importante destacar que embora não tenham nem trabalho, nem estudo, esperança, sonhos e expectativas eles têm”, observa a economista.

*Agência VIU!

 

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