Grupo é apontado como operador da lavagem de dinheiro do TCP, maior facção criminosa do Estado;

Da redação  

Uma operação da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) do Rio de Janeiro desarticulou nesta sexta-feira (26) uma quadrilha que se dedicava a lavar dinheiro do tráfico de drogas de uma das maiores facções criminosas do estado. Dois homens foram presos, apontados como os cérebros do grupo, responsáveis pela parte financeira e contabilidade.

Eles legalizavam o lucro do tráfico por meio de empresas de fachada, restaurantes, compra de imóveis e até com a fabricação de joias caras, muitas delas usadas por jogadores de futebol e celebridades do mundo artístico.

O esquema de lavagem de dinheiro revelou como funciona a estrutura financeira do Terceiro Comando Puro (TCP). Os responsáveis pela movimentação financeira do bando, segundo a polícia, são Fábio Fernandes da Silva, conhecido como Parrudo, e Tiego Raimundo dos Santos, o TH, dono da marca TH Jóias.

De acordo com o jornal O DIA, Entre os laranjas do bando estão o pai e a irmã de Fábio e pessoas que exercem cargos importantes na estrutura e ‘emprestavam’ nomes para registrar imóveis, empresas e veículos de luxo, além de movimentaram valores milionários em suas contas. Com autorização da Justiça, foram quebrados os sigilos fiscais de várias pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema, que movimentou R$ 7 milhões em dois anos.

As investigações duraram seis meses, coordenadas pelo delegado Felipe Cury, da Delegacia de Combate às Drogas (Decod). Nesta sexta-feira (26), foram executados cinco mandados de prisão, um de condução coercitiva e 34 de busca e apreensão contra os integrantes da quadrilha.

“A operação visa a lavagem de dinheiro do tráfico de uma das maiores facções criminosas do estado do Rio, o TCP [Terceiro Comando Puro]. Foi um trabalho de seis meses de investigações, houve quebra de sigilos fiscais dos envolvidos, descobrimos os laranjas usados. Esses dois são os principais elos entre a facção criminosa e a lavagem do dinheiro. Eram responsáveis pela lavagem do lucro da venda de drogas”, disse Cury.

RIO DE JANEIRO O titular da DCOD, Felipe Curi explica atuação contra quadrilha que operava lavagem de dinheiro do tráfico com venda de jóias para facção criminosa Terceiro Comando Puro | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os dois suspeitos presos dirigiam carros de luxo. Um dos veículos, segundo o delegado, foi comprado à vista em uma concessionária, por R$ 400 mil. Cury disse que a quebra de sigilo fiscal mostrou que, em dois anos, os envolvidos movimentarem cerca de R$ 7 milhões em contas bancárias. Segundo o delegado, o montante pode ser três vezes maior por causa do dinheiro que não passou por bancos.

“Fizemos um trabalho de inteligência para atacar a parte fundamental do tráfico, que é a financeira. Conseguimos quebrar as pernas dessa facção criminosa, pois esses dois eram os principais lavadores de dinheiro do tráfico. Eram pessoas acima de qualquer suspeita, pois andavam pela sociedade em eventos, ostentando padrão de vida incompatível com o que declaravam no Imposto de Renda”, disse o delegado.

OSTENTAÇÃO NAS REDES SOCIAIS

Nas redes sociais, os presos apareciam em fotos em hotéis, resorts, camarotes no Sambódromo e a bordo de lanchas. Um deles é proprietário de uma empresa de joias e em seu perfil na rede social aparece ao lado de diversos jogadores de futebol famosos, além de músicos e artistas de televisão, que usavam as peças feitas por ele, algumas avaliadas em R$ 120 mil.

A Justiça expediu mandados de prisão temporária para a dupla e para mais três pessoas, que seriam laranjas da quadrilha, com imóveis e veículos em seus nomes. Foram apreendidos computadores, tablets, celulares e anotações de contabilidade.

*Agência VIU! | Atualizado em 27/06/2017 às 13h36min

 

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