Pesquisa da empresa Ipsos revela a facilidade com que  boatos se transformam em notícias no Brasil;

Foto: pixabay

Uma recente pesquisa da empresa Ipsos mostrou o Brasil tem o maior número de pessoas que já acreditaram em uma fake news.

Em um universo de 27 países, o Brasil é o que tem o maior número de pessoas (62%) que já acreditaram em uma notícia que, na verdade, era boato. Seguindo os brasileiros no ranking dos enganados estão árabes e sul-coreanos (ambos com 58%), peruanos e espanhóis (57%), chineses (56%) e suecos, indianos e poloneses (55%).

Os dados são da pesquisa “Global Advisor: Fake News, Filter Bubbles, Post-Truth and Trust”, da empresa Ipsos, divulgada nesta semana.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político e professor da Universidade Veiga de Almeida, Guilherme Carvalhido, afirmou que ainda não é possível mensurar o peso das fake news nas eleições presidenciais.

“A gente só vai poder fazer esse levantamento detalhado ao final das eleições e com alguns estudos. Mas já podemos tirar uma conclusão prévia de que elas [fake news] têm um efeito significativo, principalmente com o resultado que você vê aí nessa pesquisa apresentada, onde as pessoas sabem que elas [notícias falsas] existem, mas não sabem ainda identificá-las […] isso tem a ver com as forças que as redes sociais têm no Brasil hoje e o efeito que começa ter nas eleições”, afirmou o especialista.

Ao comentar os motivos pelos quais a disseminação de fake news ganhou tanta intensidade no Brasil, Carvalhido argumenta que este fenômeno se deve muito ao fato de que as tecnologias estão mudando bastante nos últimos anos e as instituições tradicionais de notícias estão sendo postas em xeque.

“Isto se deve, entre várias outras coisas, as mudanças tecnológicas que estamos passando nos últimos 15, 20 anos, principalmente com o surgimento da possibilidade do cidadão comum produzir notícia […] agora nós temos inúmeras instituições diferentes fornecendo informação. E aí acaba tendo na cabeça do eleitor e do cidadão a desconfiança em saber em quem acreditar”, afirma o especialista.

“A gente precisa, sem dúvida, de uma educação digital, uma educação de saber separar o joio do trigo, daquilo que poder ser verdade e daquilo que pode ser mentira. Se você não fizer em isso, em qualquer circunstância, você estará divulgando as chamadas notícias falsas”, acrescenta.

O cientista político destacou também que é preciso ampliar o horizonte sobre a plataforma de checagem de fatos promovido por algumas agências, principalmente para o cidadão pouco instruído digitalmente, tendo em vista que uma parcela grande da população ainda não sabe  que é uma agência de checagem de fatos.

*Sputnik Brasil 

 

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