Escritora completaria 88 anos neste sábado (21), diante de um mundo obcecado pelo estudo e consumo de sua obra literária; 

A escritora brasileira Hilda Hilst completaria hoje (21), 88 anos. Hilda nasceu em Jaú (SP), em 21 de abril de 1930. Faleceu em Campinas em 2004. É do site do Instituto Hilda Hilst os seguintes dados:

“Hilda Hilst (1930-2004) foi uma ficcionista, cronista, dramaturga e poeta brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20. Hilda iniciou sua produção literária em São Paulo, com o livro de poemas Presságio (1950). Em 1965, ela se muda para Campinas e inicia a construção da Casa do Sol, para ser um porto seguro de sua criação. É na Casa do Sol que Hilda dedica-se exclusivamente ao trabalho literário, realizando ali mais de 80% de sua obra. Em 1967, ela estreia na dramaturgia e em 1970, na ficção, com Fluxo floema. Dona de uma linguagem inovadora e abrangente, Hilda produziu mais de quarenta títulos, entre poesia, teatro e ficção, e escreveu por quase 50 anos, recebendo importantes prêmios literários do Brasil. Criadora de textos em que Atemporalidade, Real e Imaginário se fundem, e os personagens mergulham no intenso questionamento dos significados, buscando compreensão e encontro do essencial, Hilda retrata sem cessar a frágil e surpreendente condição humana. Muitos de seus livros tiveram as edições originais esgotadas. A partir dos anos 2000, a Globo Livros reeditou sua obra completa, e em 2016 os direitos de publicação passaram para a Companhia das Letras. Hilda já ganhou traduções em países como Itália, França, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Argentina. O acervo pessoal deixado pela escritora se divide, hoje, entre a Sala de Memória Casa do Sol — onde há, inclusive, produções inéditas — e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas (Cedae-Unicamp).”

Fonte: Youtube

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O site do Instituto Hilda Hilst é riquíssimo em informações, obra, trechos de entrevistas, crítica literária e outros itens para quem quiser consulta-lo: http://www.hildahilst.com.br/. Há também uma loja que comercializa produtos diversos, parcerias e um programa de residência para estudiosos e tradutores de sua obra. Depois de sua morte, seu patrimônio físico, a Casa do Sol Viva, e seu patrimônio cultural deram início a uma série de projetos que hoje são realidade.

Apesar de a autora não ter sobrevivido para ver no que se tornou seu sonho, enquanto viva, hoje sua obra, há anos, incompreendida, tem como dona dos seus direitos autorais a Companhia das Letras, desde 2016.

Cada vez mais lida, nos dias de hoje, sua obra se torna uma quase obsessão no mundo acadêmico, provocando um debate bastante atual, contemporâneo e inequivocamente muito rico em relação às (multi)interlinguagens usadas em seus textos e sua postura anticanônica enquanto escritora.

Foto: Instituto Hilda Hilst

No Clube Obscena Lucidez, do Instituto Hilda Hilst, numa modalidade de associação ao Clube Obscena Lucidez, você recebe um exemplar do CD ”Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio”, com poemas de Hilda Hilst musicados por Zeca Baleiro, e o novo livro “Da Poesia”, que reúne a obra poética completa da escritora. Ou Caixa especial por tempo limitado que inclui a tiragem exclusiva do CD “Ode descontínua e remota para flauta e o oboé. De Ariana para Dionísio”, com poemas de Hilda Hilst musicados por Zeca Baleiro, mais a reprodução numerada exclusiva de uma ilustração inédita da cartunista Laerte dedicada à Hilda Hilst e ainda ganha um livro “Da Poesia”, contendo a obra poética completa de Hilda!

Hilda ganhou o mundo!

É a autora homenageada na Festa Literária Internacional de Parati, 2018, de 25 a 29 de julho, quando acontecerão vários eventos, estando o Portal VIU! em parceria, representados pelo seu Diretor Executivo, Roberto Barbosa, e Deneval Siqueira de Azevedo Filho da Editoria Artes e Literatura, tendo apresentado projeto de Leitura Dramatúrgica de Rútilo Nada (1993) e cobertura em tempo real de todo o evento, palestras e homenagens.

Fonte: Youtube

Por meu turno, ao me lembrar de minhas conversas com a autora, de minha pesquisa para minha dissertação de mestrado no IEL/Unicamp, sob orientação de Vilma Arêas (1994-1995) – Holocausto das Fadas – a trilogia obscena e o carmelo bufólico de Hilda Hilst, editado posteriormente pela Annabume(SP) e Edufes (Editora da Ufes), venho sempre atualizando o debate, depois de ter mais de 20 anos ensinado e orientado trabalhos sobre sua obra na Universidade Federal do Espírito Santo.

Traduzidos muitos de seus textos para o Inglês, Adam Morris, que fez residência na Casa do Sol, tendo traduzido alguns de seus livros, me convidou para participar de uma coletânea intitulada Hilda Hilst Essays – Between the Brazilian and World Literature (Great Britan: Palgrave Macmillan, 2018). Escrevi com muita honra o capítulo. Ele hoje faz parte, em Português, do meu livro, a ser lançado na FLIP/2018 comercializado pela Livraria Travessa – TER SIDO ESTAR SENDO – A PROSA POÉTICA DE HILDA HILST (Curitiba: CRV, 2018). Transcrevo abaixo um fragmento da obra:

“A primeira vez que li Hilda Hilst, nos idos de 1990, foi hilariante. Ela era pouca lida e também muito pouco conhecida até mesmo na Academia. Li Cartas de um Sedutor (1991), sua primeira edição da Pauliceia (SP), cujo exemplar ainda guardo comigo. Fiquei bastante tocado com a prosa ali escrita. Diferente, VII capítulos abundantes em bizarrices confessas (“escrevo bizarrias. / bizarria é eu ter uma caceta e não acontecer nada com ela. (p. 105) Personagens com o nome de A Cuzinho, Zé Piolho, Cordélia, Ordélia, em narração de duplos Stamatius/Karl, em um misto de busca de uma falta de tudo, parecendo uma fábula que tem como locus um lugar vazio, onde tudo pode acontecer através do espelho, foi minha primeira impressão, sem, no entanto, deixar de ver uma preocupação, uma busca muito latente do pai, de Deus: “P.S. O que nos resta é a orfandade. Não é que sentimos falta de pai e mãe. Somos órfãos desde sempre. Órfãos D’Aquele”. (p. 44) Só depois de procurar ler um pouco sobre a obra da autora, foi que descobri que havia uma “trilogia obscena”, muito polêmica, da qual Cartas de um Sedutor(1991) fazia parte, juntamente com Contos D’Escárnio – Textos Grotescos (1990) e O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990). E li também Bufólicas (1992). Hilda já era lida pela sua primorosa obra poética, suas Odes, seu teatro polêmico, épico/político de traços brechtianos, também premiado. Estava, encontrava-me diante de uma autora polígrafa, assim classificada por Jorge Coli: “Hilda Hilst não faz parte da família de escritores que se detém nas palavras, que as burilam como ourives, que as ajustam como peças de relojoeiros, ao modo de Racine ou Flaubert, Machado de Assis ou Bilac. Ela investe suas frases de uma dinâmica movente, ritmadas por uma força a um tempo natural e poderosa, fruto de uma escrita que brota fecundada pela necessidade imediata de escrever: assim eram Stendhal, Dostoievski, Hugo ou Proust”.  (Coli, 1996).

Sempre achei sua literatura muito política, muito séria, muito soco-na-cara!

Fonte: Youtube

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