O VII Enletrarte com Luiz Ruffato e outros: “Do papel ao palco: atos de resistência”;

Em sua sétima edição, o Encontro de Professores de Letras e Artes aconteceu no IFFCampos Centro, entre o dia 2 e 4 de outubro, organizado pelas Licenciaturas em Letras, Artes e Teatro, promovendo uma rica a vasta programação: minicursos, comunicação oral, com apresentação de trabalhos de pesquisa, mesas redondas e a palestra inaugural que nos presenteou com a presença do escritor Luiz Ruffato. Parabéns aos organizadores.

Luiz Ruffato (Cataguases, 4 de fevereiro de 1961). é um escritor brasileiro. Seu romance Eles eram muitos cavalos, de 2001, ganhou o Troféu APCA oferecido pela Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Em 2011, com a publicação do romance Domingos Sem Deus, concluiu a pentalogia Inferno Provisório. Sua fala foi muito interessante, já que é um autor bastante contemporâneo e bem instigante.

Eles eram muitos cavalos, seu primeiro romance, tem  uma estrutura não linear é composto por 70 fragmentos. O único elo entre eles é o fato de todas as narrativas ocorrerem em um só dia, o dia 9 de Maio de 2000 na cidade de São Paulo. O título do romance faz uma alusão ao poema de Cecília Meirelles, “Dos Cavalos da Inconfidência”.

O romance veio da ideia de Ruffato de escrever uma espécie de tributo sobre São Paulo, a cidade que o acolheu como a tantos outros brasileiros. A estrutura do livro surgiu da incapacidade de se apreender esta metrópole, devido a sua extrema dinamicidade e multiplicidade. Assim, o autor buscou outras maneiras de expor essa pluralidade no livro, valendo-se de registros literários e não-literários como o estilo da publicidade, do teatro, do cinema, da música, da descrição, da narração, da poesia, etc. Ruffato afirma que o livro não é no seu ponto de vista um “romance” tradicional, mas uma espécie de “instalação literária”.

Com a conferência de abertura “Literatura e Invisibilidade”, mediada pela Profa. Dra. Analice Martins, no auditório Cristina Barros, que trouxe muita provocação para novas reflexões acerca da literatura contemporânea.

A apresentação artística “Ascensão e queda da cidade de Mahagonny”’, sob responsabilidade da Profa. Monica Mesquita , mostrou bem claramente a que veio.

São palavras de Ruffato em uma entrevista concedida a Rinaldo Fernandes. CLIQUE AQUI E LEIA

Luiz Ruffato – Eu acredito na capacidade de a literatura modificar o mundo, modificando cada um dos leitores. Foi assim comigo: eu tive uma epifania ao ler meu primeiro livro e percebi que dali para a frente nada mais seria igual. A realidade brasileira se impõe a mim, porque o que me move é o olhar da indignação. Não sou cúmplice da miséria que se alastra pelo país, não sou cúmplice da violência, filha do desenraizamento, que toma o Brasil. A minha obra tenta uma reflexão sobre a seguinte pergunta: como chegamos onde estamos? O Inferno provisório é um convite para repensar a história do Brasil nos últimos 50 anos. Serão cinco volumes – os três primeiros já publicados (eles estão saindo também quase simultaneamente na França): Mamma, son tanto felice trata da questão do êxodo rural nas décadas de 50 e 60; O mundo inimigo discute a fixação do primeiro proletariado numa pequena cidade industrial (década de 60 e começo da de 70); Vista parcial da noite

descreve o embate entre os imaginários rural e urbano, nas décadas de 70 e 80. O quarto volume, a ser publicado este ano, O livro das impossibilidades, registra as mudanças comportamentais das décadas de 80 e 90. E, finalmente, o quinto e último volume chega até os nossos tempos, começo do séc. XXI.

A conferência de encerramento, “A encruzilhada: quando a história e a literatura se encontram, pela escritora Eliane Alves Cruz, mediada pelo Prof. Adriano Moura, foi extremamente interessante, pois abordou um questionamento bem atual.

Aguardamos, daqui a dois anos o VIII Enletrarte! ELE nos ajude e proteja!

 

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