A elite brasileira está enraizada no rentismo, na exportação de commodities agrícolas e minerais; Saiba como isso agrava as contradições sociais;

O regime de acumulação contemporâneo caracteriza-se por um capitalismo dominado pela finança, onde a acumulação se dá sob os imperativos da propriedade, mais do que da produção. A propriedade é, cada vez mais, de capital fictício do que de meios de produção, um capitalismo, portanto, essencialmente rentista.

Neste contexto, os capitais associam-se em holdings cada vez mais afastadas do chão da fábrica,  na forma de grupos de investidores associados em fundos, consórcios e private equitys. Os principais ativos das empresas são imagens, marcas e patentes, e seus rendimentos, nos tempos atuais, pouco têm que ver com a atividade de explorar e ser explorado, mas apenas nos “direitos” que a propriedade lhe confere.

Diante disso, o poder das elites do dinheiro está crescentemente articulado em torno dos pagamentos de rendas, sejam elas provenientes da exploração de recursos naturais, da criação de monopólios, da existência de diferenciais de produtividade, ou das mais diferentes formas de rent seeking (captura de renda).

MODELO BRASILEIRO

No Brasil, especificamente, a utilização da terra como instrumento do rentismo permite uma aliança ativa entre proprietários de terra e capitalistas financeiros. Os investimentos feitos na terra (na construção civil, por exemplo), propiciam lucro, mas, regra geral, o aumento na renda que o investimento propicia ultrapassa em muito o lucro proporcionado por esses investimentos, pois, em geral, potencializam as diferenças naturais (de localização, por exemplo). A renda fundiária, que é devida ao  dono da terra é o rendimento que deriva da mera propriedade. Os proprietários fundiários, graças ao monopólio que têm de determinadas partes dos territórios rurais e urbanos capturam parte do valor gerado na produção sob a forma de renda.

Em relação ao lucro bruto das atividades, este se decompõe em propriedade do capital, capital fora do processo de produção, que proporciona juro em si e capital dentro do processo de produção, que como processante proporciona ganho empresarial. A  propriedade de condições excepcionais proporciona renda de monopólio, na forma do  “dividendo”, ou seja, uma parcela do valor excedente auferido pelas empresas que se relaciona ao capital como propriedade e não como meio de produção. Dividendo, como se sabe, é o nome que recebe a remuneração que é destinada aos proprietários de ações.

RETROCESSO DE DIREITOS

Neste quadro, o atual cenário no Brasil está marcado por enormes retrocessos dos direitos das massas trabalhadoras da cidade e do campo. Para manter intactos os interesses das distintas frações burguesas, um conjunto amplo de reformas regressivas tem sido imposto como é o caso da reforma da previdência, trabalhista, do ensino médio e o congelamento dos gastos públicos que faz regredir o tênue welfare state tupiniquim.

São tempos de alta concentração da renda e da propriedade e de extrema desigualdade social, pilhagem dos recursos públicos e naturais e especialização produtiva baseada na exploração agrícola e na extração mineral. O projeto da elite tem no rentismo e na exportação de commodities agrícolas e minerais suas frações hegemônicas. Pratica-se mais do mesmo, ao produzir um agravamento das contradições sociais que marcam a história social brasileira e garantir privilégios mantendo os sacrifícios para a maioria.

O apodrecimento do sistema político reflete este projeto regressivo que a elite dirigente tem para o país. O grande desafio é construir uma correlação de força capaz de se expressar e dispor de instrumentos políticos para garantir, às maiorias uma nova saída democrática e popular para fazer anular todas as reformas regressivas em curso.

Veja Também

Comentários

comentários