Operação Cadeia Velha aponta esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Picciani e aliados;

Nunca antes, em mais de uma década de poder no Estado do Rio de Janeiro, o todo poderoso deputado estadual e presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, esteve tão vulnerável. Nesta terça-feira (14/11), pela segunda vez este ano, ele foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal.

Desta vez, Picciani foi apanhado na Operação Cadeia Velha, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de apurar a existência de uma organização criminosa que atuava no setor de transportes públicos, com apoio de parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), presidida pelo deputado com mão de ferro. Seus aliados são habituados a lhe prestar obediência hierárquica de olhos de fechados.

A nova investida é mais dolorosa. Um dos mandados de prisão é contra ao filho do presidente da Alerj, o empresário Felipe Picciani. Ele foi preso em Uberaba-MG. Felipe cuida dos empreendimentos privados da família, entre eles negócios de gado, suspeitos de funcionar como lavanderia de dinheiro.

O nome da operação é uma referência a origem das fundações do Palácio Tiradentes, sede do legislativo fluminense onde, no Brasil colonial, funcionava uma prisão conhecida como Cadeia Velha para onde eram encaminhados todos aqueles que infringissem as leis da coroa portuguesa.

A Polícia Federal investiga crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, foram encontradas conexões entre as Operações Saqueador, Calicute, Eficiência, Quinto do Ouro e Ponto Final já deflagradas anteriormente.

Aproximadamente 155 policiais federais cumpriram mandados nos munícipios do Rio de Janeiro, Saquarema, Volta Redonda e Uberaba/MG. Foram seis Mandados de Prisão Preventiva, quatros Mandados de Prisão Temporária, quatros Conduções coercitivas e 35 Mandados de Busca e Apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2º Região.

Durante as investigações, a PF e o Ministério Público Federal identificaram elementos indicadores do envolvimento de autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Três Deputados Estaduais do Rio de Janeiro (Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi, todos do PMDB), são suspeitos de participar do esquema criminoso através do recebimento de vantagens indevidas da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (FETRANSPOR).

A PF aponta a existência de clara atuação de parlamentares em favor dos interesses da FETRANSPOR, indicando também uma grande evolução patrimonial dos envolvidos desde que ingressaram na atividade política; e incompatível com os rendimentos inerentes aos cargos ocupados. A Receita Federal também auxiliou nas investigações.

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