O cenário brasileiro diante da crise econômica; são tempos estranhos, ditados por metas inalcançáveis;

Um país periférico, importador de tecnologia de ponta, fornecedor de matérias primas e manufaturas de baixa complexidade, crescimento médio pífio, endividamento público alto, baixo dinamismo industrial, carga tributária regressiva, com mão de obra sobrante e baixa remuneração de sua força de trabalho. Isso é o retrato encontrado na terra da jabuticaba, quando se olha a geração e distribuição da riqueza nas últimas duas décadas, após a introdução do Plano Real e da abertura financeira da conta de capitais do balanço de pagamentos.

São anos de resultados medíocres, na comparação internacional, que exigem uma profunda reflexão de nossa elite dirigente e uma redobrada atenção da população na escolha do projeto vencedor na eleição de 2018. Parafraseando o pensador Lewis Carroll: “Se não se sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve”.

ENTENDA A CONJUNTURA

Entre 1995 e 2002, com baixa inflação e sucessivas crises internacionais, a taxa média de crescimento do PIB foi 0,5 inferior ao padrão revelado pelos países desenvolvidos, ou seja, ficamos na estrada praticando o “voo da galinha”.

Nos anos Lula (2003/2010), diante de uma conjuntura ímpar decorrente dos preços de matérias-primas vendidas ao exterior (minério de ferro/soja), nosso crescimento médio superou 4% ao ano, contra apenas 1,7% a.a. do mundo desenvolvido. Isso veio junto com crescimento do emprego formal (embora com baixos salários) e recuperação do poder de compra do salário mínimo – foi nosso ensaio na direção de um mercado interno de massas lastreado no crédito caro e farto. Firmou-se entre nós o rentismo, como moda.

Entretanto, o conflito distributivo mediante uma queda expressiva da taxa de lucro industrial gerou forte desequilíbrio político e racha na aliança popular/rentista que imperava. Valeu o raciocínio de alguns segundo a qual, quando a crença prescritiva de que o Estado deve agir no interesse público vira uma previsão de que sempre agirá no interesse público porque o Estado deve ser benevolente, aí nascem os problemas.

O clima entre 2011 e o tempo presente ficou ainda pior, de modo tal, que  o crescimento médio do PIB de apenas 0,35 por cento ao ano perde de lavada para o incremento da renda no mundo desenvolvido, em torno de 1,7% ao ano ( cinco vezes mais). Assim, o desemprego ganhou contornos de crise social, a violência urbana cresce (registra-se sete assassinatos por hora no Brasil), os sindicatos e partidos perdem legitimidade e o Congresso Nacional legisla abertamente contra os interesses da maioria.

São tempos estranho de uma proposta econômica, mas também uma moral que apreende o sofrimento como uma nova fronteira de expansão do “capital humano”. Produz-se anomia para vender segurança.

TEMPOS DE MEDO

Impõem-se metas inalcançáveis para ter o pretexto subsequente para realizar ajustes instrumentais. Isto acarreta uma competição nociva para extrair mais produtividade. Demandando mais serviço do que um trabalhador pode atender para deixá-lo em estado permanente de déficit. E produz medo para criar mais subserviência entre os que buscam uma simples oportunidade de emprego.

A verdade, às vezes colapsa no poder mágico do dinheiro – medida universal de todas as coisas. Uma ideia razoável seria acharmos um mecanismo que nos permita rasgar o véu ilusório que nos cerca nessa conjuntura regressiva, mas possível de reversão.

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