Informação por mobile se torna guia para orientar moradores das favelas do Rio;

Da redação  

Com os tiroteios em diversas partes do Rio de Janeiro, os moradores da cidade estão usando a internet para transmitir informações de utilidade pública na região.

Jornais de bairros lançaram mão de novas plataformas para prestação de serviços e difusão de informações em tempo real.

Vídeo: Youtube

Grupos de Whatsapp funcionam para chamar a atenção sobre os conflitos no momento em que estão ocorrendo. É uma forma de proteger as comunidades do perigo durante os deslocamentos.

No Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, o jornal Voz da Comunidade, que está completando 12 anos, foi criado com o objetivo de comunicar as atividades ligadas à cidadania. No entanto, com o aumento da violência, o WhatsApp do jornal se tornou a ferramenta mais dinâmica para interagir com a comunidade.

Celula
A tecnologia mobile tornou-se uma ferramenta para informar os moradores em tempo real

“Para o relato de morador sobre tiroteio, a gente usa o WhatsApp, até para não contaminar, porque no jornal a gente dá a notícia voltada para o serviço de cidadania e a cobertura de cidade”, diz jornalista Maria Carolina Morganti, de 25 anos, que atualmente é chefe de redação do Voz da Comunidade, em entrevista à Agência Brasil.

Já o site Fogo Cruzado foi criado para divulgar informações que servem para estudos sobre a violência. Os dados são atualizados frequentemente. O site conta ainda com a publicação de estudos feitos em parceria com a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP).

No Twitter, o Fogo Cruzado tem 5.834 seguidores, que são atualizados sobre a ocorrência de tiroteios com base nas informações que chegam ao site.

TRANSTORNOS

Para a psicóloga e pesquisadora do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPU B) Herika Cristina da Silva, o nível elevado da violência urbana deixa as pessoas com um medo exacerbado, aumentando a necessidade de colher informações sobre a ocorrência de algum evento. Ela alerta, no entanto, que a utilização dos aplicativos para esse fim pode piorar a situação.

Violência
Moradores do Complexo do Alemão durante protesto contra a violência

“A utilização do aplicativo é também difícil porque, ao mesmo tempo em que pode ajudar a sair de uma situação de violência, acaba levando a pessoa a ficar cada vez mais exposta ao conhecimento dessas situações. Pode ajudar a aumentar o nosso medo e essa sensação de vulnerabilidade e de insegurança”, diz a psicóloga.

Pesquisas mostram que o aumento da violência interpessoal tem potencial maior para causar Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT), doença que é desencadeada após um trauma cotidiano, com agressão, assalto ou acidente.

*Agência VIU! com EBC

Comentários

comentários