Talento e raciocínio serão cruciais para se proteger da invasão da robótica e da tecnologia no ambiente de trabalho;

Da redação

Talento e raciocínio serão os principais requisitos dos profissionais para vencer a invasão da robótica e da tecnologia na 4ª revolução industrial. Nesta nova ordem que está em curso, a mão de obra desqualificada estará cada vez mais excluída, um fenômeno que segundo estimativas da Organização Mundial do Comércio (OMC), deverá provocar um contingente de cinco milhões de desempregados no mundo até 2020.

A preocupação com o desemprego que será gerado com uso de tecnologias na indústria do Brasil foi tema de debate nesta quarta-feira (19) durante o Fórum Indústria 4.0, realizado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no país ficou em 13,3% no trimestre encerrado em maio. O contingente de desocupados no país é de 13,8 milhões de pessoas.

A quarta revolução na indústria, alavancada pelos robôs, sensores e tecnologia da informação, promoverá ganho de produtividade, mas deverá acentuar a exclusão de trabalhadores, gerando um forte impacto social no país, principalmente entre a população mais pobre, com baixo grau de escolaridade.

João Alfredo Delgado, diretor de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), destaca que o profissional do futuro, além de escolaridade, precisa de qualidades. “Vai ter outro tipo de emprego e aí está o problema. Teremos um estoque de pessoas, talvez não qualificadas”, afirmou.

IMPACTO SOCIAL

Para o diretor da Abimaq, pode-se fazer uma relação desta transição econômica com o fenômeno da mecanização da agricultura, onde até os tratores passaram a dispensar um condutor humano.

“Nas cidades, sofremos com milhões de pessoas entrando sem emprego. É um sério problema social. O Brasil vai sofrer mais porque o país tem um contingente de trabalhadores despreparados”, acentuou.

Segundo Fernando Pimentel, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor pode ser fortemente afetado pela tecnologia. Do total de 1,5 milhão de empregos, 1,2 milhão atua na manufatura do vestuário.

Pimentel defende que não haja retrocessos por receio de aumento no desemprego e que o país invista na educação.

“Não podemos esperar o Brasil ficar pronto. A solução é o país ter políticas macroeconômicas mais consistentes”, disse.

Márcio Girão, diretor de inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cita a necessidade de atualização nos currículos das escolas técnicas e de engenharia. “Há um abismo na educação, precisamos de mais inclusão digital”, observou.

*Agência VIU! com EBC

Comentários

comentários